Quinta, 21 de maio de 2026
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Artigo de Opinião / 21/05/2026
Autor

Sonia Mazetto

Inteligência emocional na comunicação: o que estamos perdendo ao falar sem sentir

Em meio à rotina acelerada, às respostas automáticas e às relações cada vez mais superficiais, temos perdido algo essencial na comunicação: a capacidade de sentir o outro. A tecnologia avançou, os canais se multiplicaram e a velocidade das interações aumentou, mas, paradoxalmente, muitas conversas se tornaram frias, impessoais e desconectadas da empatia.

Tomando como gancho esse assunto, acho importante trazer uma nova provocação necessária: será que, em meio a tanta tecnologia, pressa e superficialidade, estamos perdendo a capacidade de reconhecer o outro como humano? Essa reflexão me levou diretamente a um tema que considero central no cenário atual, a inteligência emocional na comunicação.

Costumamos associar inteligência emocional apenas ao controle das emoções, no entanto, ela vai muito além disso. Trata-se da capacidade de perceber, compreender e gerenciar emoções, tanto as nossas quanto as das pessoas com quem nos relacionamos e, a partir disso, construir interações mais conscientes, respeitosas e eficazes. Na comunicação, isso se traduz em algo muito concreto que é saber o que dizer, como dizer, quando dizer e, principalmente, como ouvir.

A inteligência emocional na comunicação envolve alguns pilares fundamentais. O primeiro deles é o autoconhecimento. É entender o que nos afeta, quais são nossos gatilhos, como reagimos diante de críticas, conflitos ou pressões. Sem esse reconhecimento interno, tendemos a comunicar no automático, muitas vezes guiados pela emoção do momento.

O segundo é o autocontrole, não no sentido de reprimir sentimentos, mas de escolher como expressá-los. É a diferença entre reagir e responder e entre falar impulsivamente e comunicar com intenção. O terceiro é a empatia, e esse talvez seja o ponto mais crítico na discussão sobre desumanização.

Empatia é a capacidade de considerar o outro, de compreender que cada pessoa interpreta o mundo a partir de suas próprias experiências. Sem empatia, a comunicação se torna fria, técnica e, muitas vezes, violenta, ainda que sem intenção. Estamos no comunicando no automático, ou realmente nos colocamos no lugar do outro durante o processo comunicativo?

Há também a escuta ativa, que vai além de simplesmente ouvir. É estar presente na conversa, interessado, disponível. É não interromper, não julgar de imediato, não preparar uma resposta enquanto o outro ainda está falando. Você faz isso? E, por fim, a responsabilidade comunicacional, afinal, tudo o que dizemos gera um efeito. Palavras constroem, mas também ferem, afastam, deslegitimam. Ter inteligência emocional é reconhecer esse impacto e assumir responsabilidade por ele.

Quando conecto esses pontos com a reflexão trazida, percebo que a desumanização não acontece apenas nas grandes estruturas sociais, ela se manifesta nas pequenas interações do cotidiano. Na forma como respondemos um comentário, como tratamos um colega, como nos posicionamos em ambientes digitais.

Estamos mais rápidos, mais diretos, mais opinativos, mas menos sensíveis e a comunicação, que deveria aproximar, muitas vezes tem afastado. E isso acontece porque, em muitos momentos, estamos comunicando sem presença, sem escuta e sem consciência emocional. E falar com inteligência emocional não significa ser sempre gentil ou evitar conflitos. Significa tornar a comunicação mais intencional, mais respeitosa e, sobretudo, mais humana.

Significa entender que não estamos falando com telas, cargos ou opiniões, estamos falando com pessoas. Se estamos nos desumanizando, talvez o caminho de volta esteja justamente na forma como nos comunicamos, em resgatar a empatia, a escuta, o cuidado com a palavra. Porque, no fim, comunicar não é apenas transmitir uma mensagem, é construir relações que só existem quando há humanidade.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante

 

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